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Você não é pago pelo seu trabalho.

Na maioria dos casos você é pago pela sua capacidade de engolir sapos, tolerar os abusos da liderança ou se omitir diante de algo que poderia ser diferente. 

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As empresas não estão em busca dos melhores talentos, por mais que afirmem o contrário.

Geralmente, talentos são um problema, uma pedra no sapato. Eles incomodam ao provocar mudanças, pensar diferente, questionar o status quo ou se mostrarem mais qualificados que seus líderes. O que as empresas buscam é a conformidade. As pessoas que melhor se encaixam no sistema, sem ameaçar a ordem estabelecida.

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Raramente as organizações buscam pessoas capazes de tomar as melhores decisões, executarem ou fazerem melhores escolhas.

No fundo o que querem são pessoas capazes de fazer as coisas melhor. Não se confunda pela ordem dos termos, ela faz toda a diferença. Me refiro a fazer mais do mesmo, o de sempre, porém um pouco melhor. No caso, melhor aqui é um eufemismo para fazer mais com menos: tempo, dinheiro ou pessoas. 

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A maioria das organizações e seus líderes hoje falam sobre transformação.

Reconhecem que precisam mudar, se atualizar. Mas esse discurso só acontece da boca pra fora e geralmente está voltado ao outro. “Os outros precisam mudar. As equipes precisam mudar. Eu? Não, eu não preciso.” O que desejam não é promover grandes transformações, mas mudar estritamente o necessário para, no fim das contas, continuar igual, ou seja, manter a mesma ordem sistêmica. Sabe por quê? Porque ao contrário das promessas que ouvimos por aí, mudar é difícil, dói e dá trabalho pra caramba. Melhor deixar isso para os outros. 

Nas consultorias existe um dilema comum:

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Devemos dizer ao cliente o que realmente precisa ser feito ou simplesmente responder o que ele deseja ouvir?

Não são raros os casos em que já perdi clientes e conheço dezenas de outros consultores que passaram pela mesma consequência, justamente porque, ao invés de endossar as hipóteses desejadas pelo cliente, optamos por dizer a verdade. Uma verdade inconveniente, com a qual o cliente não está disposto a lidar. Por outro lado, existe uma ampla gama de consultorias que operam justamente aí: seu papel é construir argumentos que validem o desejo do seu contratante. A famosa claque. 

Ascensão nas carreiras corporativas está mais ligada a capacidade de transitar nesse território das “mentiras sinceras” com a diplomacia necessária para criar alianças sem desagradar demais. Raramente as promoções são vinculadas a critérios técnicos, métricas sólidas ou indicadores claros de performance. 

Reconhecer que esse elemento faz parte do jogo, não significa ser conivente com ele. Mas é preciso perder a inocência para evitar contarmos essas mentiras para nós mesmos. Aí sim a coisa fica grave. 

Já reparou como alguns discursos vão se tornando grandes mentiras coletivas?  

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“Nosso foco não está na tecnologia, mas sim nas pessoas”

Agora, quase todos enchem a boca pra falar isso, mas se você rastrear os investimentos da sua empresa, o orçamento não corresponde ao discurso.

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“Nossa empresa acredita na diversidade”

Tá na moda, mas geralmente esse papo emerge de uma sala repleta de pessoas brancas, extremamente parecidas, apontando o dedo para fora da bolha e incorporando o assunto da vez. 

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“O cliente é a nossa prioridade”

Essa talvez seja a principal falácia corporativa do século. Infelizmente as organizações estão muito mais interessadas na manutenção da própria condição e nos interesses de seus acionistas, do que no valor gerado para seus clientes. A ordem de prioridades geralmente é: acionistas, alta liderança, a própria empresa institucionalmente, o mercado, e lá no fim da lista estão colaboradores e clientes. 

Mas será que poderia ser diferente? Tá aí um desafio para sistemas de humanos sobre o qual poderíamos dedicar um pouco de atenção. Como criar organizações mais transparentes, relações de poder menos hipócritas e trocas mais justas entre as pessoas?

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