A IA é uma máquina que não vai substituir o humano. Sem o humano, ela não existiria, pois “imita com mais potência a inteligência humana”. Aprender e estudar constroem repertório e conhecimento e, consequentemente, pensamento crítico. Isso você não pode (e não deveria) delegar a uma máquina.
A neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de se modificar e se adaptar ao longo da vida. Somos seres capazes de aprender quando estimulados, porém a máquina não pode ser uma muleta: ela não irá tomar decisões por você. O pensamento crítico é e sempre será essencial para o desenvolvimento humano, inclusive para o aperfeiçoamento da própria máquina.
O processo da IA generativa começa com a capacidade de se comunicar com clareza. Precisamos escrever ou falar para a máquina, de forma lógica, coerente e detalhada, o que desejamos que ela faça — mesmo que seja para escrever um prompt que gere outro prompt. Se a máquina não receber uma orientação, ela não saberá o que fazer. É como o Waze: se você não informa o endereço, ele não saberá para onde ir. O mesmo vale para um carro autônomo que precisa ser programado antes de sair. Para que tudo comece a funcionar, a mente humana precisa operar de forma crítica.
Estamos criando seres dependentes de IA?
Uso IA todos os dias em diferentes funções, porém acompanhar o desenvolvimento da tecnologia não significa tornar-se dependente dela. Precisamos saber usá-la com pensamento crítico — afinal, se até o ser humano erra…
O estudo recente feito pelo Institute for Transformation of Society na Alemanha – “AI, Metacognition, and the Verification Bottleneck: A Three-Wave Longitudinal Study of Human Problem-Solving” acompanhou, ao longo de seis meses, como o uso de ferramentas de IA (como modelos generativos do tipo ChatGPT) afetou a forma como as pessoas resolvem problemas, sua confiança e sua capacidade de verificar soluções.
Quando os participantes usaram IA para resolver tarefas, concluíram os problemas muito mais rápido do que o grupo sem ajuda. Os participantes sem IA também concluíram as tarefas, porém levaram mais tempo.
Em testes posteriores, ao enfrentar novos desafios sem IA, aqueles que confiaram de forma mais intensa na tecnologia apresentaram desempenho significativamente pior — ou seja, tiveram dificuldade para resolver os problemas sem o suporte tecnológico.
Será que o cérebro ficou com preguiça de raciocinar?
Os participantes passaram a confiar cada vez mais nas respostas geradas pela IA, mesmo quando estas não eram totalmente corretas. Essa confiança não se traduziu em habilidade de verificação ou correção independente: acreditavam entender ou dominar o conteúdo, mas não conseguiam verificar ou reimplementar soluções por conta própria.
Embora a IA ajude ao gerar soluções e agilizar processos, o estudo sugere que a tendência de simplesmente aceitar suas respostas reduz a prática da verificação crítica, da metacognição e da confiança na própria capacidade.
Nem tudo que reluz é ouro. Nada substitui o talento.
(usei a IA para fazer correções gramaticais e ortográficas neste texto)
Fonte do estudo:Instituto for the Transformation of Society, (Deggendorf Institute of Technology – European Campus Rottal-Inn) AI, Metacognition, and the Verification Bottleneck: A Three-Wave Longitudinal Study of Human Problem-Solving, arXiv preprint, Matthias Hümmer, Franziska Durner, Theophile Shyiramunda, Michelle J. Cummings-Koether (21 jan. 2026).